Quando se ama quem não te ama: um olhar sobre “TRUE LOVE”, do COLDPLAY

[Escrito em 15/08/2022]

Fundo de quadro negro (aqueles que se usa giz para escrever) com um coração parcialmente partido

“Just tell me you love me, if you don't then lie, oh, lie to me / And call it true, call it true love”

“Então diga que me ama… Se não me ama, então minta, oh, minta pra mim! (E chame de verdade, chame de amor verdadeiro!)”

São essas tristes palavras que compõem o refrão desta música desesperada do Coldplay, chamada "True Love". Você ama, ama muito, mas sente que a sintonia não é mais a mesma. Vocês são cordiais um com o outro, mas quase não conversam mais. Quase não convivem mais. a pessoa some, mente, não te leva mais pra sair, parece que não faz mais questão de estar com você. Mas não te larga, não te deixa ir. Até porque, pode ser que nem ela saiba que a história de vocês está acabando.


[Remember once upon a time…]

Vocês passaram por muitos momentos juntos: dos felizes aos mais raivosos. Vocês já viram o melhor e o pior do outro, e ainda assim continuaram juntos. Atravessando cada maré de azar, cada ventania de más notícias, cada provação… Mas, também, cada vitória, cada conquista, cada risada frouxa e cada momento fofo. 


[...When I was yours and you were blind…]

Aí você se lembra daquelas vezes em que, quando você menos esperava, recebia um gesto de carinho. Se recorda daquela época em que esta era a única pessoa que se manteve ao seu lado quando ninguém mais estava. Sente o gosto imaginário do beijo, do toque, cada vez mais raro, mas que te faz sentir um gosto de saudade toda vez que acontece.


[The fire would sparkle in your eyes and mine…]

Aquela época em que a paixão estava no auge, vocês se descobrindo, depois vira amor, afeto, uma ligação profunda e real. Muito real. O primeiro olhar, de uma certa euforia, dá lugar a um olhar calmo, mas seguro. Os apelidos carinhosos deixam de ser clichê para algo que os identifiquem, de modo que é bem difícil não usá-los, sai ao natural.


[For a second, I was in control…]

Mas as coisas começam a desandar. O olhar não é mais o mesmo, vai ficando cada vez mais frio. O toque, cada vez mais escasso, passa a ser protocolar. Bem como os apelidos, ditos mais da boca pra fora do que com sentimento. As brigas vão ficando mais sérias, e as mágoas mais latentes. De repente você não faz mais parte da equação daquela pessoa. Parece que o amor vai se esvaindo, sumindo…


[...I had it once, I lost it though]

E você começa a se questionar. “Vale a pena?” “Ainda é meu amor?” Ainda me ama?” “Ainda temos um relacionamento? Ou ele acabou?” Ao se questionar, começa a lutar menos por esse amor. Começa a reter menos esse sentimento de dentro de você. E o esforço para manter tudo em ordem fica cada vez menor, já o outro parece que também parou de se importar.


[And I wish you could have let me know…]

Mas o apego não permite que um solte a mão do outro. Apego às lembranças, aos momentos, ao carinho e a ligação que vocês têm (e nem sempre ela se esvai). Fica um misto de amor se apagando e apego, ao mesmo tempo que as mágoas estão ali, prontas para se aparecer. Manter a paz fica cada vez mais difícil. As brigas ficam mais perigosas, as palavras trocadas machucam cada vez mais. Até que chega a um ponto em que a briga, mesmo que seja por algo que te incomoda e que precisa ser melhorado, vira uma forma de te machucar ainda mais e mais. 


[...What's really going on below…]

Começam as mentiras, os desvios, as omissões, as contradições… Elas não estavam ali no começo. Ou era você que não percebia? Mesmo com o balde cheio disso, você fica com medo de confrontar e descobrir algo ruim demais para suportar. E é aí que você clama, ainda que bem baixinho… “Diga que me ama… Se não me ama… Minta pra mim…”.

Apenas para adiar algo que, ao que tudo indica, é inevitável.

Essa história está chegando ao fim.


[... I've lost you now…

... you let met go…

... but one last time…]


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