Um pouco sobre o contexto e a história da personagem que, ao mesmo tempo, é uma criança e tem mais de 500 anos ─ e governa um país
Ok, eu sei que o título está um pouco confuso. Na verdade, a história deste jogo já é um pouco confusa, mas dá para entender, eu prometo.
Genshin Impact é um jogo de uma desenvolvedora chinesa chamada miHoYo (ou Hoyoverse) lançado em setembro de 2020 (sim, bem no meio da pandemia). Caracteriza-se por ser um jogo eletrônico de RPG (Rolling-Playing Game, em que o jogador interpreta um personagem ao longo de uma história), de ação (já que o protagonista é ativamente controlado), de mundo aberto (um mapa gigante para explorar, com muita coisa pra fazer além da história principal) e… Gacha. Basicamente, o termo foi inspirado nas máquinas de Gachapon, aquelas que tem uma garra para pegar bichinhos de pelúcia e outros brindes. Em outras palavras, tentar a sorte para conseguir o prêmio que você deseja ou outra coisa aleatória. Ou não, você não é obrigado a nada mesmo…
Enfim, é neste contexto que temos vários personagens e histórias interessantes para conhecer e fazer paralelos com o nosso mundo. E é aí que chegamos na Nahida, apelidada pela comunidade do jogo de “Arcontinha do Povo”, cuja história você vai conhecer um pouquinho neste post especial.
Te convido a uma pequena viagem por um mundo real, apesar de cheio de fantasia…
Um conto da Lord Menor Kusanali, a Nahida
Era uma vez uma nação chamada Sumeru. Sua governante, ou “Arconte”, era uma garotinha elfa que vivia num castelo que se chama “Palácio de Surasthana”. Ela nunca saía de lá. Diziam que ela não queria, que apenas se concentrava em seu dever na Irminsul e que não se envolvia nas “questões mundanas”. Mas a verdade era que ela não podia. Não pessoalmente, pelo menos. Ela visitava seu povo através dos sonhos, uma de suas habilidades. Aliás, ela também é uma garota mágica, com poderes ligados à natureza (Florescimento, Germinação, etc., chamado de “Dendro”), e também podia passear nos sonhos de outras pessoas, criar um ambiente imaginário em um espaço real, entrar na consciência dos outros (possuindo seus corpos temporariamente), e ler mentes. No entanto, ela não nunca considerou como correto usar essas duas últimas habilidades, então quase não as usa. Afinal, como deusa da Sabedoria, ela sabe muito bem o que é certo e errado. Seu nome é Nahida, e seu título é Lord Menor Kusanali.
Seu nascimento remonta a muitos anos… A, mais ou menos, uns 500 anos atrás. No entanto, sua história começa bem antes disso. Ela é um ser mágico que foi criado a partir de uma árvore igualmente mágica, a Irminsul, responsável por gerir as energias dos elementos daquele mundo e guardar todas as memórias de tudo o que é nativo de lá, garantindo o equilíbrio de toda Teyvat. A Arconte anterior, Lord Maior Rukkhadevata, gastou praticamente todo o seu poder para resolver um problema gigante que um amigo causou ao liberar o “Conhecimento Proibido”, um poder que não pertence àquele lugar e que trouxe muitos problemas à Sumeru. Infelizmente, seu sacrifício não foi o suficiente: a doença Eleazar (maldição liberada como punição) se espalhava aos poucos não apenas na população, como nela mesma e na própria Irminsul. Não vendo outra alternativa, ela selou a si mesma e salvou um galho ainda não corrompido, transformando-a numa forma de elfa, para que, quando a hora chegasse, sua sucessora pudesse resolver a crise e comandar Sumeru, junto com seu povo.
Só que esta história, a partir daí, sofre um desvio: ao ver brotar, na nação que segue o ideal da Sabedoria, um ser com aparência e conhecimento iguais aos de uma criança, os Sábios da Academia se sentiram traídos, afinal Rukkhadevata era muito sábia. Se aproveitando que a Lord Menor Kusanali ainda era muito fraca em poder, mesmo tendo muitas habilidades, a trancaram no Palácio de Surasthana, sede do governo.
“Mas, com o tempo, ela não ficaria forte o suficiente para se libertar desta espécie de prisão?”, você me pergunta. Até que sim, mas, infelizmente, um poder de um Arconte depende que seu povo mantenha e/ou aumenta a fé que tem nele... Com ela trancada, os Sábios da Academia espalharam alguns boatos e dominaram a narrativa de Sumeru, fazendo com que toda a sua população acreditasse no que diziam. Primeiro disseram que Lord Menor Kusanali apenas se concentrava em seu dever em proteger a Irminsul e que não se envolvia em “questões mundanas”, deixando esta responsabilidade com… Exatamente, com a própria Academia. Segundo, exaltavam sempre que podiam a Lord Maior Rukkhadevata e seus feitos, e assim Nahida não tinha espaço para agir como governante. Terceiro, o Terminal Akasha, criação da arconte anterior (que é como uma enciclopédia em que todos acessam com a força da mente ativando um pequeno artefato), tinha pouquíssima informação sobre a Kusanali: insistir em pesquisar sobre ela mostrava que não se tinha permissão para acessar essas informações, apenas as de sua antecessora.
Presa no próprio Palácio, sem forças físicas ou mágicas para sair de lá, sem aliados, nem chance do seu poder crescer, como a Nahida ficou todo esse tempo? Fazendo a única coisa que podia: estudar, usando o Terminal Akasha. Aliás, através deste mesmo dispositivo, ela conseguia ler a mente das pessoas, e sabia de todos os seus sofrimentos e angústias. Assim, ela aparecia para cada um em sonho, os ajudando a superar seus medos. Bem, no caso, só das crianças. Os adultos não sonham em Sumeru. Então ela acabou virando um conto infantil, à espera de que algo acontecesse e ela pudesse salvar a si e à sua nação, que dirá até o mundo inteiro…
Bem, quem sabe na parte 2?
"Tudo neste mundo funciona em um loop...
Quanto à verdade... Cabe a você descobrir.
Portanto, não importa o quão estranhas ou assustadoras as coisas possam parecer na superfície, talvez tudo o que elas apontem no final seja apenas um pequeno e simples segredo.
Afinal de contas, eu sou apenas a Lua.
O verdadeiro Sol já se foi há muito tempo."
(Nahida, a Lord Menor Kusanali, em "Teaser da História de Sumeru | Genshin Impact")





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