
(Escrito em 06/06/2025)
Às vezes, as caixinhas que o mundo nos impõe acabam nos prendendo, nos atrofiando. Chegam ao ponto de nos reduzir a um estado menor do que nós somos de fato. Elas são baseadas em prisões mais antigas do que nós mesmos, mas que insistem em continuar existindo, ou seja, em preconceitos.
A caixinha em questão é muito pequena. E, quando essa imposição vem de pessoas próximas a nós, dói ainda mais tentar caber nelas. Afinal, era lá onde deveria estar o nosso refúgio, nosso espaço de expressão em tranquilidade, nosso porto seguro. Só que, em vez disso, nos abandonam. Ou nos impõem regras tão sufocantes que chegam até a beirar à tortura.
No início, e por vezes sem perceber, a gente acaba aceitando. Vive dessa forma por amor àquelas pessoas. E por medo do que pode acontecer, já que a outra opção é o completo desconhecido. A gente chega até a viver em negação por um tempo, pois diariamente ouvimos que o que somos não é correto, não é o “normal”.
Mas… Sabe qual é o maior problema sobre a nossa essência? É que, uma vez estabelecida, ela não quer ficar trancada. Ela quer se mostrar com orgulho, quer voar (com plumas e paetês, a depender da situação), quer falar: “não tem nada de errado comigo! Quero ver a luz do dia! Não quero ficar escondida!”. Se falar não adianta, ela grita. Berra: “Por que me calar?!?”.
E, um dia ou hora, e de tanto insistir, ela vence. Não dá para caber naquela caixinha que é tão pequena… O custo é alto demais: sufocar a sua própria essência e existência. E isso vai te destruindo por dentro até chegar num ponto que ou você a solta ou se afoga de vez nesse mar de mentiras autoinfligidas.
Você sabe o que vai acontecer se violar as regras, se tentar sair do pequeno espaço que te enterraram. Mas você não aguenta mais. Você precisa ser você plenamente. Custe o que custar. Você vai perder muita coisa. Mas, acredite, vai receber muito mais. Pois, quem te ama de verdade não vai tentar trancar a sua essência, não vai impedir a plenitude de ser você.
Em outras palavras, vão te amar e te aceitar como você é (não como querem que você seja). Vão apoiar quem quer que você ame (independente de gênero). Vão respeitar a tua essência (que não precisa de cura).
Ser você mesmo (a) vem com um preço que nem sempre é alto demais a se pagar. Você tem o direito de existir em plenitude. Você tem o direito de amar quem quiser. E os outros têm obrigação de respeitar.
E que assim seja.
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