Diários de um Exílio - Dia Final


Despeço-me

(Escrito em 02.08.2026)

Pego minhas coisas,
    e sigo para a saída, pela última vez...

Despeço-me dos teus abraços,
    dos teus beijos,
    e de tudo o que tivemos.

Despeço-me das risadas,
    das conversas,
    e da tua companhia.

Despeço-me do teu corpo,
    do teu toque,
    e da nossa intimidade.

Despeço-me das surpresas,
    das belezas,
    e dos momentos bons.

Despeço-me de cada "bom dia" ,
    de cada "oi",
    e de cada "tchau, vai com Deus".

Despeço-me dos filhos,
    dos netos,
    e de tudo o que poderia ter sido.

Despeço-me das tristezas,
    das receitas que não deram certo,
    e dos momentos difíceis que passamos.

Despeço-me das brigas,
    das ofensas,
    e dos escombros do nosso castelo.

Despeço-me chorando,
    sofrendo,
    e lidando sozinha com o que você fez.

Despeço-me com mais um trauma,
    mais uma dor dilacerante,
    e mais feridas em carne viva.

Despeço-me da estante em que vivi como uma porcelana.
Despeço-me dos flashes que derretiam meu corpo de cera.
Despeço-me de ser um vagalume atrás da tua luz.
Despeço-me do teu oásis e do teu deserto.

Despeço-me de tudo o que vivemos,
    mesmo sabendo que nada disso sairá do meu coração.

Despeço-me da casa,
    mesmo sabendo que ela nunca foi nossa - apenas tua.

Despeço-me rumo ao local que já não é mais o meu exílio,
    pois tornou-se meu novo lar (embora um velho conhecido).

Despeço-me com saudade,
    mesmo sabendo que não vou mais voltar para aquela vida.

Despeço-me, apesar de tudo, te amando.
Para sempre te amarei.
No entanto, agora de outra forma.

Obrigada por ter sido o amor da minha vida, por todos esses anos.
E eu também espero poder te perdoar um dia.

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